quinta-feira, 3 de abril de 2008

Paradoxos da Modernidade

A modernidade designa “modos de vida e organização social que emergiram na Europa cerca do século XVII e que adquiriram subsequentemente uma influência mais ou menos universal.” (Giddens – Consequências da Modernidade) Associado a esta está uma ideia de igualdade, fraternidade e liberdade que depois da Revolução Francesa continuaram a ser proclamados pelos movimentos anti-sistemicos que criticaram as formas de organização capitalista por não garantir aquilo que ideologicamente clamava como universal. Esta base do sistema político da modernidade, a democracia, faria também supostamente a apologia da igualdade e da paz universal que Kant pretendia alcançar através do projecto do cosmopolitismo universal, com uma progressiva extinção dos exércitos. Repare-se que esta questão do universalismo e do amor ao próximo foi uma questão ideológica importante proclamada quer pelos opositores do sistema quer por aqueles que são a favor. Que melhor hino para consagrar esta ideia que a 9ª de Beethoven.

As ideias de progresso que foram assim proclamadas quer por uns quer por outros levariam a extinção da guerra e consequentemente a paz universal. Os direitos humanos seriam a consagração máxima desta expressão ideológica da igualdade e fraternidade entre homens. No entanto, nas supostas “sociedades avançadas” continua a existir tortura e pobreza daqueles que ficam nas margens do sistema, apesar de ser também nestas sociedades que os direitos humanos são mais aceites. Este fosso entre valores e situação real conduz a situações de repugnância, quantos de nós vira a cara apesar de muito indignados com certas situações?

Esta última ideia leva exactamente até a guerra. Continua a existir um sentimento de repugnância face a guerra por parte da maioria dos ideólogos e cidadãos, e é neste ponto que existe um paradoxo. Se por um lado a guerra é uma das dimensões chave da modernidade, uma vez que ao contrário do que as ideias de progresso diziam esta não desapareceu, por outro a ideologia oficial proclama o contrário. A guerra do Iraque tem de ser vista não como mais uma guerra, mas como um conflito entre centro e periferia na tentativa do primeiro dominar politica e economicamente o segundo.

Se por um lado as democracias clamam por justiça social e por progresso que é uma forma de “acalmar as hostes” na origem, continuam a utilizar a guerra como instrumento de dominação do exterior.

1 comentário:

Anónimo disse...

Subscrevo e assino por baixo.

Rita